Cientistas desenvolvem vacina personalizada contra o câncer usando células dendríticas, mRNA tumoral e inteligência artificial para treinar o sistema imunológico.
A vacina que não previne, mas combate
O conceito pode soar paradoxal, mas a proposta é real e cada vez mais próxima da prática clínica. Em vez de impedir o surgimento da doença, essa vacina ensina o organismo a destruir o câncer que já está presente. Dessa forma, o sistema imunológico deixa de ser coadjuvante e vira o protagonista do tratamento.
A pesquisa é conduzida pela World Cancer Foundation, presidida pelo Prof. Dr. José Emílio Fehr Pereira Lopes, pós-doutor pela Harvard Medical School. Além disso, o trabalho se apoia nas bases estabelecidas pelo Prof. Dr. José Alexandre Barbuto, pioneiro nessa abordagem.
Como funciona na prática
As células dendríticas são retiradas de indivíduos saudáveis e treinadas em laboratório com informações sobre o tumor do paciente. Em seguida, retornam ao organismo com uma missão precisa: identificar e destruir as células malignas. No entanto, o maior obstáculo é que o tumor aprende a se disfarçar ao longo do tempo.
Para superar isso, a equipe passou a usar o mRNA tumoral como instrução, acessando informações internas da célula cancerígena. Por outro lado, essas instruções são mais estáveis do que as características externas do tumor. Assim, a resposta imunológica se mantém eficaz por mais tempo.
Inteligência artificial entra na batalha
A etapa mais recente da pesquisa incorpora uma molécula desenvolvida com inteligência artificial, chamada de “bio nanorrobô”. A inovação é fruto da colaboração do assistente de medicina Arthur Cesar Azevedo Menezes. Dessa maneira, a molécula é ajustada às características únicas de cada paciente.
Essa estrutura age dentro das células tumorais, bloqueando os mecanismos que permitem sua adaptação. Além disso, estimula continuamente o sistema imunológico, mantendo o organismo em estado de alerta permanente. Por fim, o tumor não apenas é atacado, mas também perde a capacidade de se esconder.
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