Quem sobe a Rua Patrocínio até a Praça Zigue-Zague, no Carlos Prates, agora passa por seis murais novos e encontra o sétimo na própria praça. As obras são o legado da segunda edição do FARRA, Festival de Arte e Rua, do Instituto CURA, que reuniu sete artistas mulheres na pintura dos muros do bairro. O encerramento, uma festa gratuita na praça, recebeu 600 pessoas.
Três das artistas vieram de outras cidades. Rafa Mon, mineira radicada no Rio de Janeiro desde 2006, levou para o muro a fauna, a flora que marcam seus murais no Brasil e no exterior. A paraibana Thaynha trouxe de João Pessoa as linhas fluidas e o feminino que conduzem seu trabalho no graffiti. Laís da Lama, que pinta desde 2007 e cresceu na Zona Leste de São Paulo, juntou à pintura a pesquisa sobre identidade e memória feminina de sua primeira exposição individual.
As quatro artistas de Belo Horizonte completam o percurso com trajetórias longas na cidade. D.Ninja, entre as primeiras mulheres a fazer graffiti no Brasil, pintou os seres fantásticos que já levou a países como Peru, Chile, Alemanha e França. Mag Magrela, nascida em São Paulo e radicada em BH, trouxe as personagens que ocupam seus murais em Buenos Aires, Nova York, Paris e Lisboa. Priscila Amoni, com 13 anos de muralismo, fez das emendas e dos desníveis da parede parte das figuras de mulheres e plantas que marcam sua obra. Mariana Marinato levou para a rua a pesquisa sobre corpo, tempo e memória a partir do que a cidade consome e descarta.
Os muros ficam a poucos passos uns dos outros, e as sete trabalharam ao mesmo tempo, à vista de quem passava. Durante os cinco dias de pintura, moradores acompanharam as obras do começo ao fim, crianças se aproximaram das artistas e a calçada virou lugar de conversa.
No encerramento, a praça recebeu oficina de graffiti para crianças, conduzida pelo artista e educador Alexandre Rato, oficina de customização, espaço de lazer com brinquedos na rua, visita guiada pelos murais e DJs. O show da banda O Culto da Rua fechou a noite. Ao todo, as oficinas tiveram 50 participantes, e a Pool Jeans, marca da Riachuelo que apresenta o festival, distribuiu kits ao público. Durante o festival, o Forno da Saudade, pizzaria em frente à praça, serviu uma pizza criada para o FARRA, com pimentões e queijo minas artesanal da Serra do Salitre, numa caixa ilustrada com a Zigue-Zague.
“Sinto que ter só mulheres na programação foi o destaque desta edição. A expectativa é que o FARRA seja um festival itinerante, que possa ocupar qualquer tipo de território, qualquer cidade”, diz Priscila Amoni, curadora do festival e uma das idealizadoras do Instituto CURA.
O FARRA estreou em maio, na Cabana do Pai Tomás, e muda de bairro a cada edição. O próximo destino ainda não foi definido. Em 2027, o Instituto CURA celebra os dez anos do CURA, festival que pinta empenas no centro de Belo Horizonte desde 2017.
Os sete murais ficam abertos à visitação a qualquer hora, na Rua Patrocínio e na Praça Zigue-Zague, na esquina com a Rua Peçanha. Do alto da praça, a vista alcança o centro da cidade e a Serra do Curral.
FARRA Zigue-Zague em números
5 dias de festival
7 murais pintados por 7 artistas mulheres
600 pessoas no encerramento
50 participantes nas oficinas
100 kits distribuídos ao público
Pool Jeans apresenta: FARRA – Festival de Arte e Rua
Apoio: Forno da Saudade | Coopesol Leste
Produção: AGUA – Agência Urbana de Arte
Realização: Instituto Cura
Incentivo: Lei Estadual de Incentivo à Cultura / MG – Projeto 2024.3808.0818

