Faixa produzida com o Sonasterio abre nova fase da banda mineira e reflete sobre o excesso de discursos do cotidiano
A banda mineira Daparte lança “Televisão”, primeiro single de um EP inédito que será apresentado nos próximos meses. Já disponível nas plataformas, a faixa é lançada pela Algohits, responsável pela distribuição e estratégia dos próximos projetos do quinteto de Belo Horizonte.
Produzida pela própria banda em parceria com o Sonasterio, “Televisão” nasce da sensação de estar cercado por informações, opiniões e discursos que circulam sem parar, mas que pouco conversam com quem os recebe. “A televisão não fala mais comigo sobre mim” é o verso que dá eixo à canção e expressa esse sentimento de desconexão diante das telas.
A música também questiona a distância entre o discurso e a prática. “Eu me acostumei a só fazer e não me importar / a decorar o que dizer, mas nunca praticar”, canta o grupo. A Daparte transforma esse incômodo em uma faixa sobre exaustão, excesso de estímulos e a dificuldade de se reconhecer na realidade narrada em tempo real.
Com guitarras, programações e efeitos mais densos, “Televisão” amplia a pesquisa sonora da banda sem abrir mão da força melódica que marca sua trajetória. A faixa dialoga com referências como Os Mutantes, Oasis, Radiohead, The Flaming Lips, The 1975 e Fontaines D.C., incorporadas à identidade que o grupo construiu desde sua formação, em 2015.
O single antecipa um EP de quatro faixas, formado por músicas escritas em diferentes momentos da história da Daparte. Algumas delas já foram apresentadas ao vivo e agora ganham unidade em um projeto que reúne novas possibilidades criativas para o quinteto.
Formada por Juliano Alvarenga, João Ferreira, Bernardo Cipriano, Túlio Lima e Daniel Crase, a Daparte lançou os álbuns Charles (2018), Fugadoce (2021) e Baterias de Emergência (2024). A banda também já se apresentou em palcos como Rock in Rio, Planeta Brasil, Breve, Sarará e Circo Voador.
João Ferreira, um dos compositores da banda, foi indicado duas vezes ao Grammy Latino e, em 2025, tornou-se o primeiro brasileiro indicado à categoria Compositor do Ano, por obras gravadas por artistas como Vitor Kley, Anavitória, Lagum e Samuel Rosa.

