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Turismo muda e viajante busca experiências únicas

O Dia Mundial do Turismo, celebrado em 27 de setembro, encontra um setor em transformação no Brasil. O país encerrou 2025 com aproximadamente 9,3 milhões de turistas internacionais, o maior número de sua história, enquanto os viajantes passaram a procurar jornadas mais conectadas a seus gostos, interesses e formas de viver cada destino.

Viagens personalizadas, escapadas de curta duração, experiências gastronômicas e culturais, cruzeiros, turismo de natureza, grupos, eventos e roteiros que combinam lazer e negócios fazem parte desse cenário. Para Ana Virgínia Falcão, CEO da Clube Turismo, a mudança revela uma nova prioridade entre os consumidores.

Viagens entram nas prioridades

“Há um consumidor mais disposto a viajar e, principalmente, que incorporou a viagem como uma prioridade de consumo e de qualidade de vida. Mesmo diante de desafios econômicos, as pessoas continuam planejando férias, feriados e experiências”, afirma.

Segundo a executiva, viajar deixou de estar associado apenas aos períodos tradicionais de férias. Dessa forma, feriados, finais de semana prolongados e roteiros de poucos dias também passaram a ocupar espaço no planejamento de consumidores que buscam experiências de acordo com o tempo e o orçamento disponíveis.

Esse comportamento movimenta o mercado e abre novas possibilidades para empresas do setor. Ao mesmo tempo, amplia a procura por produtos que consideram perfis individuais, motivações específicas e formas diferentes de aproveitar cada viagem.

Da escolha do destino ao que se quer viver

O turismo de experiência deve ganhar ainda mais força nos próximos anos. Para Ana Virgínia, o viajante contemporâneo não procura apenas uma cidade, uma praia ou um hotel: ele busca vivências que façam sentido para sua história, seus interesses e seus desejos.

“A pergunta deixou de ser somente ‘para onde você quer viajar?’ e passou a incluir ‘o que você quer viver nessa viagem?’. Essa mudança é muito importante para o nosso setor”, destaca Ana.

Gastronomia, cultura, natureza, eventos, esportes, shows, bem-estar e contato com comunidades locais aparecem entre os elementos que podem orientar um roteiro. Assim, o destino deixa de ser o único protagonista e passa a dividir espaço com as experiências que serão vividas durante a jornada.

O novo papel das agências

Com acesso a avaliações, redes sociais, plataformas de reserva e conteúdos sobre destinos, o consumidor chega mais informado ao processo de planejamento. No entanto, para a CEO da Clube Turismo, esse cenário não diminui a importância das agências de viagens.

A transformação está no tipo de serviço oferecido. O agente de viagens passa a exercer um papel ainda mais importante de curadoria, personalização e orientação, conectando a grande quantidade de informações disponíveis às necessidades reais de cada cliente.

“O agente precisa agregar inteligência à informação que o cliente já possui. Ele ajuda a transformar uma enorme quantidade de informações disponíveis na internet em uma viagem realmente adequada ao perfil, orçamento e expectativa daquele viajante”, explica.

Inteligência artificial e atendimento humano

A tecnologia também deve transformar a rotina dos profissionais do turismo. Com a popularização da inteligência artificial, tarefas operacionais tendem a ser automatizadas, permitindo que as equipes tenham mais tempo para fortalecer o relacionamento e o atendimento aos clientes.

A visão defendida por Ana Virgínia não coloca tecnologia e atendimento humano em lados opostos. Pelo contrário, a expectativa é que as ferramentas digitais ampliem a eficiência dos processos, enquanto os profissionais se concentram no cuidado e na confiança necessários para planejar uma viagem.

“Acredito no modelo ‘tecnologia + humano’, e não ‘tecnologia versus humano’”, afirma Ana Virgínia.

Empreendedorismo e novos desafios

O crescimento do turismo também cria oportunidades para empreendedores. A Clube Turismo acompanha o movimento com uma rede de franquias formada por 581 unidades, distribuídas nos formatos Home Office, Home Office Prime e Loja.

Para a executiva, o avanço do mercado aumenta a demanda por empresas e profissionais preparados para transformar o interesse por viagens em experiências bem planejadas e seguras. A profissionalização, portanto, será decisiva para que o crescimento se mantenha sustentável.

“Vejo uma oportunidade extraordinária porque o turismo tem uma capacidade enorme de gerar emprego, renda e empreendedorismo. Quanto maior e mais diverso fica o mercado, maior é a necessidade de empresas e profissionais preparados para transformar essa demanda em experiências bem planejadas e seguras”, avalia.

Entre os desafios dos próximos anos estão conectividade aérea, infraestrutura, qualificação profissional, segurança, sustentabilidade e custos das viagens. Por fim, Ana Virgínia resume cinco movimentos para o setor: inteligência artificial, personalização, turismo de experiência, sustentabilidade e especialização dos profissionais.

“O futuro do turismo não será exclusivamente digital nem exclusivamente humano. Será a combinação das duas coisas: tecnologia para gerar eficiência e inteligência; pessoas para gerar confiança, relacionamento e cuidado”, conclui a CEO.

Foto: Divulgação

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