Mais de 33 milhões de pedidos de sushi, sashimi e temaki foram feitos no Brasil ao longo de 2025, segundo dados do iFood. Só entre janeiro e agosto, foram 29 milhões de solicitações, com uma média que supera 122 mil por dia. A culinária japonesa está entre as mais pedidas do país no delivery, mas esse crescimento expressivo trouxe à tona uma questão que poucos consumidores conhecem: o sushi é um dos alimentos que mais exige controle no transporte.
Por que o sushi é tão sensível no delivery
Ao contrário do que parece, o desafio não está apenas no sabor. O sushi precisa ser consumido em temperatura ambiente, mas depende de refrigeração rigorosa até o momento da entrega. De acordo com o Queensland Government, da Austrália, alimentos como o sushi não devem ficar mais de duas horas fora de refrigeração. Entre duas e quatro horas, o consumo deve ser imediato. Acima desse tempo, o descarte é recomendado.
Esse intervalo coincide exatamente com o tempo que envolve preparo, despacho e entrega nos grandes centros urbanos, especialmente nos picos de fim de semana, quando o volume de pedidos simultâneos aumenta e a logística se torna mais complexa.
“A diferença entre uma boa experiência e uma negativa pode estar em poucos graus e em alguns minutos a mais no trajeto.”
Quem alerta é Ricardo Leme, sócio do Sushi Garden, restaurante 100% delivery fundado em 2019, em São Paulo, com cardápio assinado pelo chef José Araújo, premiado duas vezes com estrela Michelin. Para ele, a textura do arroz e a estabilidade térmica do peixe são os primeiros a sentir qualquer variação no trajeto.
Logística inteligente como solução
Para André Mortari, CEO da LETS, plataforma de logística com tecnologia de IA presente em mais de 2.200 cidades brasileiras, tempo e temperatura precisam ser variáveis centrais na operação de qualquer restaurante que entregue sushi.
Dessa forma, a empresa orienta sobre cuidados técnicos que fazem diferença na prática: embalagens térmicas adequadas, separação entre itens quentes e frios no mesmo pedido e roteirização que evite múltiplas paradas desnecessárias. “A operação precisa ser pensada para reduzir ao máximo o intervalo entre preparo e entrega”, reforça o executivo.
Como identificar um sushi fora do ponto
Ricardo Leme lista os principais sinais de alerta que o consumidor pode observar assim que o pedido chegar.
- Arroz excessivamente seco ou pastoso
- Odor mais intenso ou diferente do habitual no peixe
- Coloração opaca ou escurecida nas peças
- Peças desmanchando com facilidade ou embalagem com excesso de umidade
Em caso de dúvida, a orientação é direta: não consumir. Além disso, André Mortari recomenda que qualquer problema identificado seja reportado imediatamente na plataforma de delivery utilizada. “O ideal é reportar para que as medidas necessárias sejam tomadas”, afirma. Portanto, a responsabilidade pela segurança alimentar no delivery é compartilhada entre restaurantes, empresas de logística e plataformas, mas começa com a informação que chega ao consumidor final.
Foto: Pedro Henrique Guerra do Carmo Pina

