O avanço da inteligência artificial abre espaço para uma pergunta central no Rio Innovation Week 2026: o que continua sendo essencialmente humano? A provocação é da ONG Parceiros da Educação Rio, que leva ao evento o painel “O que a IA não substitui: a força da escola, da cultura e da arte”, no dia 4 de agosto, às 19h.
A conversa será conduzida pelo historiador e escritor Luiz Antônio Simas, com participação de Rita Jobim, Diretora Executiva da ONG, Lêda Fonseca, Coordenadora do projeto Lá Vem História, e Nathalia Mazolli Veiga, idealizadora e diretora do projeto Social Innovation Lab – Isso é Coisa de CRIA.
O painel quer destacar a escola, a cultura e a arte como espaços insubstituíveis no desenvolvimento da criatividade, da sensibilidade e do pensamento crítico. Além disso, os convidados vão tratar da importância dos projetos culturais dentro das escolas públicas e do papel da vivência cultural em uma educação mais justa.
Também entra na pauta o uso da inteligência de dados como apoio para escolas públicas e educadores na leitura de desafios e oportunidades. A iniciativa tem convite e apoio do Instituto da Criança, parceira da ONG há anos.
Escola e futuro
Luiz Antônio Simas afirma que não vê educação e escolaridade como sinônimos. “Não acredito em uma educação desvinculada das práticas e fazeres cotidianos. Escolaridade e educação, aliás, não são exatamente sinônimos. Promover exatamente o encontro entre a educação e a escolaridade é, a meu ver, uma das tarefas urgentes que temos para pensar hoje no papel da escola”, diz ele.
A partir dessa visão, a Parceiros da Educação Rio apresenta sua trajetória de 17 anos de atuação. A ONG trabalha em parceria com a Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro e aposta na infância como estratégia de desenvolvimento da cidade.
Desde 2009, a organização já mobilizou R$ 40 milhões, apoiou melhorias em 64 escolas e impactou quase 43 mil alunos. As ações incluem formação de gestores e professores, reforço escolar, alfabetização, acesso a livros, internet, material escolar e cuidados com a saúde.
Rita Jobim afirma que o investimento em educação pública vai além da causa social. Segundo ela, significa reduzir a evasão escolar, formar pessoas e construir uma cidade mais preparada para crescer, a partir de crianças que aprendem na idade certa.
“A inovação começa muito antes da tecnologia, ela começa quando uma criança aprende na idade certa.”
Impacto nas escolas
Os resultados apresentados pela ONG mostram que 70% das escolas apoiadas têm Ideb acima da média do município do Rio de Janeiro. Na Penha, região da 4ª Coordenadoria Regional de Educação, a E.M. João de Deus aparece com média 7.7, seguida da E.M. Suíça, com 7.5, e da E.M. Ministro Afrânio Costa, com 6.5.
A 2ª CRE também aparece em destaque, como a terceira melhor da cidade, com a E.M. Pedro Ernesto alcançando 7.3. Os números reforçam o impacto do acompanhamento pedagógico feito pela organização nas escolas atendidas.
Ao lado disso, a ONG amplia projetos que cruzam aprendizagem, cultura, saúde e diversidade. O Visão Esperança prevê atendimento oftalmológico para 14 mil estudantes em 40 escolas em 2026. Já o Lá Vem História deve alcançar mais de 5 mil alunos em 28 escolas, com literatura, artes, doação de livros e formação antirracista em parceria com a UFRJ.
Para Lêda Fonseca, a escola pública também é lugar de imaginação e pertencimento. “Quando aproximamos os alunos da literatura, das artes e das matrizes culturais brasileiras, ampliamos não só o repertório, mas a forma como eles se enxergam no mundo”, afirma.
Serviço
- Painel “O que a IA não substitui: a força da escola, da cultura e da arte”.
- Data: 4 de agosto.
- Horário: 19h.
- Evento: Rio Innovation Week 2026.
- Participantes: Luiz Antônio Simas, Rita Jobim, Lêda Fonseca e Nathalia Mazolli Veiga.
- Apoio: Instituto da Criança.
Foto: Divulgação
