A presença de um medicamento na mochila não significa que a criança possa tomá-lo na escola sem planejamento. De acordo com o pediatra Antonio Carlos Turner, a primeira medida é verificar se o tratamento pode ter os horários organizados para que as doses sejam administradas em casa.
A medicação durante as aulas deve ser considerada uma exceção. No ambiente escolar, dúvidas sobre doses, horários, identificação do produto e possíveis reações podem aumentar o risco de erros.
Decisão deve ser médica
Alguns tratamentos agudos ou contínuos permitem ajustes de horário, mas isso depende do medicamento, da indicação e do intervalo prescrito. A família não deve fazer mudanças por conta própria.
“O pediatra deve avaliar o tratamento e, quando houver margem para isso, organizar os horários de forma segura para a criança e para a rotina familiar”, explica Turner, coordenador técnico da rede de clínicas Total Kids.
Por outro lado, algumas condições crônicas, medicações de emergência e tratamentos que não podem ser interrompidos podem exigir a administração durante o período escolar. Nesses casos, é necessário alinhar as condutas com a família, o médico e a instituição.
Atenção aos sintomas
O uso de antitérmico ou analgésico para reduzir a febre ou a dor e manter a criança na escola também merece cuidado. A medicação pode esconder sintomas que indicam a necessidade de repouso e avaliação.
Febre, prostração, vômitos, dor importante e tosse persistente são sinais que devem ser considerados antes da permanência na escola. Além disso, quando há um quadro infeccioso, existe o risco de transmissão para colegas e profissionais.
Protocolo com a escola
Se o remédio precisar ser administrado durante as aulas, os responsáveis devem conversar antecipadamente com a coordenação ou com o setor responsável pela saúde dos alunos. A instituição precisa saber exatamente como agir.
- Apresentar prescrição médica atualizada.
- Informar dose, horário e via de administração.
- Entregar autorização formal dos responsáveis.
- Enviar o produto em sua embalagem original.
- Identificar o medicamento com o nome da criança.
- Conferir o prazo de validade.
O pediatra recomenda evitar orientações informais repassadas à criança por bilhetes ou mensagens. Assim, família, médico e escola devem estabelecer um procedimento claro para o tratamento.
Cuidado individual e coletivo
Para Turner, a decisão precisa ser tomada caso a caso. Se a criança está doente e apresenta sinais que comprometem seu estado geral, controlar apenas o sintoma não deve ser usado como estratégia para mantê-la em aula.
“É preciso considerar se ela realmente tem condições de estar na escola. Em caso de dúvida sobre o tratamento, a orientação deve vir sempre do pediatra”, conclui.
Dr. Antonio Carlos Turner | Pediatra
Coordenador da Rede de Clínicas
Total Kids
CRM: 52.46851-4
RQE: 49635
Foto: Divulgação

