Panorama POP

Novo espaço de dança estreia em São Paulo em julho

São Paulo ganha, ao longo de julho, um novo território dedicado à dança contemporânea. O Instituto Capobianco inaugura a TECTÔNICA, plataforma que estreia com residências artísticas simultâneas de dois artistas centrais da cena nacional: Beatriz Sano e Cristian Duarte.

Trata-se da primeira produção autoral do Instituto desde sua reabertura, e o formato é inédito: ao invés de um espetáculo fechado, os artistas foram convidados a construir, junto à instituição, todo o desenho da ocupação. O resultado reúne seis espetáculos de repertório, duas aberturas de processo, dois workshops gratuitos e a Mostra Cinestesia, com três sessões de cinema acompanhadas de ações performativas.

A TECTÔNICA nasce do entendimento de que a dança e o movimento têm a capacidade de produzir deslocamentos profundos nas formas como percebemos, convivemos e habitamos o mundo — Mariano Mattos Martins, programador do Instituto Capobianco

Dois olhares sobre o corpo em movimento

Com uma trajetória marcada pela investigação entre voz e movimento, Beatriz Sano mantém parcerias contínuas com Eduardo Fukushima, Júlia Rocha e Isabel Ramos Monteiro, além de circulação por Brasil, Japão e Europa. “A residência também será uma forma de aprofundar processos artísticos que ficaram incompletos e de dar visibilidade a obras que tiveram pouca circulação”, afirma a artista.

Enquanto isso, Cristian Duarte segue à frente da Cristian Duarte /em companhia, iniciativa voltada à criação de contextos de pesquisa e convivência em dança na cidade. “O que mais me emociona neste convite é a confiança que existe por trás dele”, observa o artista, destacando a possibilidade de “construir coletivamente um contexto para a dança”.

Repertório em cartaz

Entre 3 e 12 de julho, o público confere Um Extraordinário Canto Experimental, de Beatriz Sano, ao lado de Cair, de Eduardo Fukushima, obra sobre desequilíbrio e queda. No mesmo período, Cristian Duarte /em companhia apresenta Presentes, Morde como um cão e Tudo Vira, seguidos pelo dueto Me Envenena, Vem Cá, nos dias 18 e 19.

Já a abertura de processo de Imagine Aqui, pesquisa de Beatriz Sano nascida de uma residência em Kinosaki, no Japão, acontece entre 17 e 19 de julho, em parceria com Isabel Ramos Monteiro e Júlia Rocha. Por fim, em 23 de julho, Cristian Duarte /em companhia expõe o processo de Queima, criação ao lado da dançarina Aline Bonamin que seguirá em desenvolvimento até 2027.

Formação gratuita

A programação inclui ainda dois workshops gratuitos. Beatriz Sano conduz Práticas de Respiração e Movimento nos dias 7, 14 e 21 de julho, das 15h às 17h, combinando práticas asiáticas a exercícios de voz e improvisação. Já Cristian Duarte /em companhia oferece Sempre Junto e Nunca Igual, nos dias 8, 15 e 22, das 10h às 12h, com foco em práticas coletivas de repetição e escuta. As inscrições são feitas previamente pelo site do Instituto.

Cinema, baile e celebração

Fechando o mês, a Mostra Cinestesia une dança e audiovisual em três sessões especiais. No dia 24, Em Silêncio com Dolls antecede a exibição do filme de Takeshi Kitano com uma ativação sensorial de Beatriz Sano. No dia 25, O Baile com Um Baile convida o público a dançar ao lado dos dois artistas no subsolo do Instituto, após a projeção do clássico de Ettore Scola.

Por fim, em 26 de julho, a ação Jamzz encerra a residência com uma improvisação conduzida por Cristian Duarte, 12 performers e um DJ, inspirada no documentário Dzi Croquettes. A trilha sonora reúne décadas de música brasileira, de Rita Lee a Liniker.

Café Capô

No subsolo do espaço, o Café Capô, operado pela cozinheira Ariana Turca, do Dasturca, funciona antes e depois das apresentações com cardápio sazonal autoral, reforçando o caráter de encontro e convivência do Instituto.

Serviço

Foto: Divulgação

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