A possibilidade de crianças de hoje viverem mais de um século já integra discussões médicas atuais. O tema foi destaque na I Jornada de Pediatria TOTALKIDS/AMZO, realizada no sábado (16), no Teatro Multiplan, no ParkJacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Com a presença de cerca de 300 pediatras, o evento trouxe uma abordagem atualizada sobre saúde infantil. Mais do que prolongar a vida, o foco está em garantir qualidade, autonomia e equilíbrio ao longo dos anos. Assim, a infância ganha protagonismo nas estratégias de prevenção.
O papel dos hábitos desde cedo
Coordenador técnico da rede Total Kids e idealizador do encontro, o pediatra e nutrólogo Antonio Carlos Turner destacou que a ciência já reconhece a infância como fase decisiva para a longevidade.
“Hoje a ciência já entende que a construção da longevidade começa na infância. O DNA não é um destino fixo. Nossos hábitos funcionam como interruptores que podem ativar genes de saúde ou favorecer o desenvolvimento de doenças ao longo da vida”.
Dessa forma, comportamentos cotidianos passam a ter impacto direto na saúde futura. Além disso, a medicina amplia seu olhar para ações preventivas desde os primeiros anos.
Nutrição como base da longevidade
A alimentação foi um dos principais pontos discutidos na jornada. No entanto, o foco vai além de uma dieta equilibrada: trata-se de uma estratégia nutricional voltada para o desenvolvimento integral.
Segundo Turner, é essencial investir em fibras, controlar a insulina e reduzir o consumo excessivo de açúcar. Além disso, nutrientes como DHA, ferro e vitamina D têm papel importante no desenvolvimento do cérebro e na saúde ao longo da vida.
Portanto, escolhas alimentares na infância podem influenciar diretamente o risco de doenças e a qualidade de vida na fase adulta.
Rotina saudável faz diferença
Outros fatores também foram apontados como essenciais. A prática de atividades físicas, o sono de qualidade e a prevenção da obesidade infantil são determinantes para um envelhecimento saudável.
Enquanto isso, a ausência desses hábitos pode gerar impactos negativos ao longo dos anos. Por outro lado, pequenas mudanças na rotina já são capazes de trazer benefícios duradouros.
“Movimento, sono de qualidade e prevenção da obesidade infantil são fundamentais. A discussão não é apenas sobre viver mais, mas sobre chegar aos 100 ou 120 anos com independência, saúde mental e qualidade de vida”.
Assim, a longevidade passa a ser entendida como um conjunto de fatores que vão além do tempo de vida, envolvendo bem-estar e autonomia.
Integração na pediatria
O encontro também reforçou a importância de uma abordagem integrada. Profissionais de diferentes áreas da pediatria discutiram caminhos para um cuidado mais completo e conectado.
Além disso, aspectos como saúde emocional e acompanhamento contínuo foram destacados como fundamentais. Dessa maneira, a construção de uma vida longa e saudável começa com atenção ampla ainda na infância.
Por fim, o debate aponta para um cenário em que viver mais será cada vez mais comum — mas viver bem dependerá diretamente das escolhas feitas desde cedo.
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