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Fred Martins e Morelenbaum homenageiam João Gilberto

O encontro entre Fred Martins e Jaques Morelenbaum em torno da obra de
João Gilberto ultrapassou os palcos e vai chegar ao estúdio. A dupla
apresenta “Tributo a João Gilberto” no Teatro Rival Petrobras, no dia 21 de
agosto, às 19h30, e prepara um álbum que será lançado pela Respect Record,
selo japonês especializado em música brasileira.

O show reúne dois músicos de trajetória internacional para revisitar a obra de um dos principais responsáveis pela transformação da música popular brasileira. João Gilberto mudou a relação entre voz, violão e silêncio e estabeleceu uma estética que continua influenciando novas gerações.

No palco, o repertório passa por canções ligadas a João Gilberto e por obras de Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Carlos Lyra, Dorival Caymmi, Chico Buarque e Geraldo Pereira. A apresentação também aponta para interpretações próprias desenvolvidas por Fred e Jaques.

Um disco a caminho

A repercussão do espetáculo levou a Respect Record a convidar os artistas para um registro em estúdio. A gravação está prevista para acontecer no Rio de Janeiro em fevereiro do ano que vem.

O álbum não pretende simplesmente transportar para o formato fonográfico o repertório da apresentação. A proposta é seguir a pesquisa artística iniciada no palco e reunir novas leituras, composições autorais e músicas que estabelecem diálogo com o universo criado por João Gilberto.

Para Fred Martins, a atenção internacional à música brasileira revela a força de uma linguagem que continua atravessando fronteiras.

“Quem está fora do Brasil enxerga essa música como uma das maiores expressões da nossa cultura. Muitas vezes nós mesmos não percebemos a dimensão que ela alcançou no mundo. A bossa nova continua encantando diferentes gerações porque une sofisticação, leveza e uma forma muito brasileira de dizer as coisas.”

O legado de João Gilberto

O projeto parte da compreensão de que a obra de João Gilberto continua atual justamente por colocar a canção no centro. Sua interpretação minimalista reorganizou o espaço entre voz, violão e silêncio e fez da economia de elementos uma forma de expressão.

“João criou uma interpretação completamente própria e minimalista, em que a música e a letra são o centro de tudo. Em um tempo em que a imagem costuma falar mais alto do que a obra, voltar a essa estética é também lembrar que a arte tem um caminho próprio”, afirma Fred Martins.

Jaques Morelenbaum acrescenta ao espetáculo a experiência de décadas de trabalho com artistas como Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil e Sting. No encontro com Fred, o violoncelo estabelece uma conversa delicada com o violão e a voz.

O resultado preserva a contenção e a delicadeza associadas à obra de João Gilberto, sem deixar de abrir espaço para novas possibilidades interpretativas.

Entre homenagem e criação

As apresentações realizadas nos últimos meses vêm servindo como laboratório para o projeto. O palco permite que os músicos amadureçam o repertório, testem arranjos e desenvolvam a estética que será levada ao estúdio.

Por isso, o espetáculo que chega ao Teatro Rival Petrobras não se limita a uma retrospectiva. A homenagem serve como ponto de partida para uma pesquisa em andamento, que pretende reafirmar a influência de João Gilberto e, ao mesmo tempo, construir novos caminhos dentro da música brasileira.

Serviço

Foto: Divulgação

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