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Fatel apresenta “Rasante”, disco de sertão e poesia

O cantor, compositor e poeta baiano Fatel lança Rasante, álbum que chega nesta sexta-feira (24) via ONErpm e propõe uma escuta sensível do sertão como linguagem. Em dez faixas, o trabalho reúne memória, desejo, palavra e pertencimento, com participações de Josyara, Guigga, Ivan Sacerdote, Grupo Ofá, Cicinho de Assis e Mário Soares.

O disco nasce da ideia de um voo próximo à terra, em que o corpo não se afasta dos contornos do chão, das pedras e das águas. Dessa forma, Fatel constrói uma obra que canta o Brasil a partir da experiência sertaneja, sem recorrer a retratos ilustrativos do Nordeste.

Origem e conceito

Natural de Juazeiro, às margens do Rio São Francisco, o artista transforma sua vivência em linguagem musical. Em Rasante, o sertão aparece na respiração das melodias, nas imagens poéticas e na convivência entre tradição e invenção.

Para Fatel, o álbum representa resistência e cuidado. Ele afirma que o projeto foi feito com calma, com gente de verdade, e que sua proposta é falar do Brasil a partir do interior, sem apagar as próprias origens.

“O Rasante é pra mim um símbolo de resistência. Um trabalho feito com muita calma, uma música feita com gente de verdade, de uma poesia e de uma musicalidade que não busca retratar o Nordeste ou o Sertão, mas falar e cantar o Brasil a partir dele”, afirma Fatel.

Som e arranjo

Produzido artisticamente por Fatel e Tarcísio Santos, o álbum percorre paisagens sonoras diversas sem perder a unidade estética. Cordas, sopros, sanfona, percussões afro-brasileiras e uma instrumentação precisa sustentam as canções, deixando espaço para que o silêncio tenha o mesmo peso do som.

Essa escolha revela um compositor mais interessado em atmosfera do que em virtuosismo. Em faixas como Aprender a Nadar, Não Negue o Medo, Nego e Trilhas de Corte, a delicadeza, a vulnerabilidade e o deslocamento ganham forma musical.

As participações também ajudam a ampliar o alcance do disco sem quebrar sua identidade. Josyara entra em Nós Dois, Ivan Sacerdote soma clarinete a Cobra Coral, Guigga divide Trilhas de Corte, o Grupo Ofá leva dimensão ritualística a Mãe Menina e Cicinho de Assis com Mário Soares aproximam o trabalho das sonoridades do interior nordestino em Canto de Madrugou.

Diálogo com a canção brasileira

O repertório ainda inclui releituras de Cobra Coral, de Waly Salomão e Caetano Veloso, e Olha pro Céu, de Luiz Gonzaga e José Fernandes de Carvalho. As versões funcionam como homenagem e também como afirmação de continuidade entre repertório histórico e criação contemporânea.

Mais do que um conjunto de dez músicas, Rasante marca um momento de maturidade artística. A produção cuidadosa, os arranjos elegantes e a escrita consistente reforçam Fatel como um compositor atento às possibilidades poéticas da canção brasileira.

Em vez de acelerar, o álbum desacelera. O resultado é uma obra que se aproxima da terra, da palavra e do silêncio, convidando o ouvinte a habitar cada faixa.

Ficha técnica

Foto: Lígia Rizério

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