O retorno das grandes semanas de moda internacionais marca um momento crucial para a indústria fashion. O chamado “Big Four”, que reúne Nova York, Londres, Milão e Paris, tenta recuperar uma audiência estimada em até dois milhões de espectadores e reacender o protagonismo dos desfiles presenciais no cenário global.
De acordo com dados da Gitnux, o fenômeno das fashion weeks continua sendo um dos principais motores do setor. No entanto, após três anos de forte presença dos formatos híbridos, o mercado busca agora reconectar público, marcas e profissionais em experiências físicas mais impactantes.
Calendário define o ritmo global
A próxima temporada já está desenhada. Em setembro, começam os desfiles de primavera em Nova York, Londres e Milão, enquanto Paris encerra o circuito em 6 de outubro com a Semana de Moda Primavera 2027. Assim, o período atual funciona como uma preparação estratégica para movimentar negócios e tendências.
Enquanto isso, os bastidores operam em ritmo acelerado desde junho. É nesse momento que acontece uma das maiores temporadas de casting do mundo, reunindo profissionais de diferentes áreas em torno da seleção de novos talentos.
Preparação intensa e mercado competitivo
A rotina das modelos inclui treinamento de passarela, testes de fotogenia, avaliação de medidas e desenvolvimento de postura e presença cênica. Além disso, a construção de portfólio e o posicionamento estratégico são fundamentais para atender às exigências de cada mercado.
“Um perfil que funciona em Milão pode não atender às demandas de Londres ou Nova York, assim como a alta-costura em Paris pode não atender um determinado perfil de modelagem.”
A avaliação é de Mônica Mota, CEO da Model Club Agency, que há três décadas atua na preparação de modelos para o mercado internacional. Segundo ela, o sucesso depende de planejamento detalhado e de uma leitura precisa das particularidades de cada praça.
Além disso, o contato com scouts e agências internacionais — como IMG Models, Elite, Look1, Next e Ford — amplia as oportunidades para talentos brasileiros em desfiles de grandes grifes, entre elas Gucci, Miu Miu, Saint Laurent, Balenciaga, Versace e Fendi.
Talentos brasileiros em evidência
As modelos brasileiras seguem como destaque no circuito internacional. De acordo com Mônica Mota, características como autenticidade, diversidade e facilidade de adaptação reforçam a presença do Brasil entre os países mais observados pela indústria.
Ao longo de sua trajetória, a empresária — conhecida como “Fada Madrinha” das modelos — já acompanhou carreiras como as de Josefa Santos, que desfilou para a Valentino, e Beatriz Santos, da Ami Paris, além de mais de uma centena de novos talentos.
Por fim, a retomada das fashion weeks sinaliza mais do que um retorno aos desfiles tradicionais. Trata-se de uma reconfiguração do setor, que aposta na força do encontro presencial para impulsionar negócios, revelar talentos e redefinir os rumos da moda global.
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