Responsável por alguns dos maiores sucessos da perfumaria mundial, como Angel e Light Blue, o francês Olivier Cresp compartilhou sua visão sobre o futuro do setor em uma entrevista realizada em Paris, na boutique Fragrance de L’Opéra, ao lado da especialista Poliana Palhano.
Durante a conversa, o perfumista abordou tendências, comportamento do consumidor e a evolução da perfumaria como experiência sensorial e emocional.
Desafio olfativo ainda sem solução
Mesmo com domínio técnico avançado, Cresp admite que nem tudo pode ser reproduzido. Um exemplo é o cheiro da areia quente, que ainda desafia a indústria.
“Ainda não conseguimos recriar perfeitamente o cheiro mineral da areia aquecida pelo sol.”
Essa busca por novas sensações mostra como a perfumaria segue em constante evolução, explorando territórios ainda pouco traduzidos em fragrâncias.
Memória e emoção no centro
Para o perfumista, o grande diferencial das fragrâncias está na capacidade de despertar lembranças. Aromas como café ou pão quente, por exemplo, têm o poder de transportar o consumidor para momentos específicos.
Dessa forma, a perfumaria se consolida como uma linguagem emocional, indo além da estética e se aproximando da memória afetiva.
Tendências globais
Entre os principais movimentos do mercado, Cresp destaca a força contínua dos gourmands, categoria que ele ajudou a popularizar, e o crescimento das fragrâncias fresh & clean, voltadas ao conforto e bem-estar.
Enquanto isso, a perfumaria de nicho ganha espaço com maior liberdade criativa, permitindo o uso de matérias-primas mais sofisticadas e composições menos convencionais.
Além disso, a influência da perfumaria árabe e do oud segue em expansão no mercado de luxo, ampliando as possibilidades olfativas globais.
Por fim, a entrevista reforça um cenário em que inovação, emoção e identidade caminham juntos, moldando o futuro da perfumaria contemporânea.
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