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Casa do Ouro inicia ciclo cultural gratuito em Macaíba

Macaíba recebe, a partir de setembro, uma programação gratuita dedicada à cultura afro-brasileira, à memória e à formação. A Casa do Ouro Águas de Oxum inicia o Programa de Cultura Afro-Brasileira Casa do Ouro, que prevê mais de 20 atividades abertas ao público ao longo dos próximos 12 meses.

O primeiro ciclo é o projeto Gira de Desenvolvimento, com encontros nos dias 17 e 24 de setembro e 8 de outubro, sempre a partir das 14h. As atividades serão realizadas no Terreiro Casa do Ouro Águas de Oxum, na Rua Campo Santo, 57, em Macaíba, no Rio Grande do Norte.

Os encontros abordam saberes afro-brasileiros, indumentária e adereços, economia criativa, gastronomia de terreiro, anticapacitismo e cultura inclusiva. Dessa forma, a proposta cria um espaço de troca para diferentes públicos e valoriza conhecimentos que atravessam a formação cultural brasileira.

Saberes e experiências afro-brasileiras

O Gira de Desenvolvimento abre uma agenda que propõe aproximar a comunidade de práticas, referências e vivências ligadas à cultura afro-brasileira. As formações combinam temas tradicionais e discussões contemporâneas, conectando ancestralidade, identidade, inclusão e desenvolvimento comunitário.

Além dos saberes que fazem parte da vida dos povos de terreiro, a programação inclui reflexões sobre economia criativa, moda, indumentária, gastronomia e acessibilidade. Assim, a Casa do Ouro abre espaço para reconhecer a presença dessas expressões em diferentes dimensões da cultura e da vida social.

A proposta também dialoga com o crescimento da visibilidade da cultura afro-brasileira na música, na moda, no audiovisual e nas conversas públicas sobre patrimônio, identidade e ancestralidade. Em Macaíba, a iniciativa reúne essas questões em uma programação própria e de acesso gratuito.

Diálogo contra a intolerância

Pai Léo de Odé destaca a importância de ampliar o diálogo em torno das religiões de matriz africana. Para ele, a presença de referências de terreiro em produções culturais que alcançam grandes públicos representa uma oportunidade de criar mais entendimento e combater a intolerância religiosa.

“A mídia tem aberto mais espaço para os povos de terreiro. Um exemplo são artistas como Anitta, que têm levado referências das religiões de matriz africana para grandes públicos. Então, é um momento oportuno para fortalecermos o diálogo como caminho para combater a intolerância religiosa.”

Por meio das atividades formativas e culturais, a programação convida o público a conhecer práticas e conhecimentos ligados aos povos de terreiro. Portanto, a proposta aposta na convivência e no acesso à informação como formas de fortalecer o respeito às diferentes tradições religiosas e culturais.

Agenda segue por 12 meses

Depois dos primeiros encontros, o Programa de Cultura Afro-Brasileira Casa do Ouro continuará com mais de 20 ações ao longo de um ano. A agenda reúne formação, festividades tradicionais abertas ao público, música, gastronomia, audiovisual, exposições, economia criativa e preservação da memória.

A programação foi pensada para valorizar diferentes formas de expressão e ampliar a participação do público. Além disso, o conjunto de atividades reconhece a cultura afro-brasileira como patrimônio vivo, presente em práticas comunitárias, celebrações, sabores, imagens, sons e modos de transmitir conhecimento.

O projeto também busca fortalecer os vínculos entre cultura e desenvolvimento local. Dessa maneira, as ações unem processos de formação, circulação de saberes e iniciativas que podem gerar novas possibilidades de atuação para participantes e para a própria comunidade de Macaíba.

Terreiro soma 67 anos de trajetória

A Casa do Ouro Águas de Oxum foi fundada em 1959 por José Pedro de Alcântara, conhecido como Pai Dedé de Macambira. Com 67 anos de história em 2026, o terreiro ocupa um lugar importante na trajetória cultural e religiosa de Macaíba.

Atualmente, o espaço é conduzido por Pai Léo de Odé, Sebastião Leandro de Lima Alcântara. A Casa mantém atividades religiosas, culturais, educativas e de acolhimento social, além de desenvolver projetos nas áreas de formação, memória, audiovisual e desenvolvimento comunitário.

Por fim, o Programa de Cultura Afro-Brasileira Casa do Ouro reforça a atuação do terreiro como lugar de cuidado, transmissão de conhecimentos e construção coletiva. A agenda convida moradores e visitantes a participar de atividades que conectam passado, presente e novas possibilidades para a cultura afro-brasileira.

Incentivo cultural

As atividades são incentivadas pela Política Nacional de Cultura Viva, Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Norte, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Sistema Nacional de Cultura e Ministério da Cultura.

O primeiro encontro do Gira de Desenvolvimento acontece no dia 17 de setembro. A participação é gratuita e aberta ao público.

Serviço

Foto: Divulgação

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