São Paulo se prepara para uma onda de calor que pode levar os termômetros a 40°C entre sexta (28) e segunda (31), acendendo alerta no setor agropecuário. A Defesa Civil prevê umidade relativa do ar abaixo de 12% e maior risco de incêndios, especialmente nas regiões norte e noroeste do estado.
Especialistas alertam que eventos extremos exigem planejamento hídrico e financeiro das propriedades rurais.
Seca atinge centenas de municípios
O episódio ocorre em um período de atenção às condições hídricas no país. Dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) referente a julho identificou 157 municípios brasileiros em situação de seca severa e outros 532 classificados com seca moderada.
Para o trimestre entre agosto e outubro, a previsão sazonal aponta temperaturas acima da média em todo o Brasil e chuvas abaixo da média em praticamente todo o território nacional, à exceção da Região Sul.
Manejo hídrico estratégico
Para Francisco Carvalho, gerente comercial da Hydroplan-EB, empresa especializada em tecnologias para otimização do uso da água no campo, episódios de calor intenso reforçam a necessidade de aumentar a eficiência hídrica antes que a escassez se transforme em problema para a lavoura.
“Quando temos temperaturas muito elevadas e baixa umidade, a preocupação do produtor não deve ser apenas com a quantidade de água disponível, mas com a eficiência com que essa água permanece acessível à planta. Quanto maior a perda por evaporação e mais rapidamente o solo perde umidade, maior é a necessidade de pensar o manejo hídrico de forma estratégica”
A Hydroplan-EB desenvolve tecnologias voltadas à eficiência hídrica na agricultura, entre elas polímeros superabsorventes aplicados ao solo, capazes de reter água e liberá-la gradualmente na região das raízes.
“Não conseguimos controlar quando uma onda de calor vai acontecer, mas podemos trabalhar para deixar o sistema produtivo menos vulnerável. Tecnologias de retenção de água, manejo adequado do solo e planejamento da irrigação fazem parte dessa preparação”
Crédito como ferramenta de planejamento
Os extremos climáticos também chegam ao caixa das propriedades. Investimentos em irrigação, infraestrutura, tecnologias de manejo hídrico, prevenção ou recuperação de áreas podem exigir recursos que não estavam previstos inicialmente.
Para Romário Alves, CEO e fundador da Sonhagro, rede especializada em crédito rural, a maior imprevisibilidade climática exige que a organização financeira faça parte do planejamento da produção.
“Uma seca prolongada, uma onda de calor ou um incêndio podem criar uma necessidade de investimento que não estava prevista. Por isso, planejamento financeiro e acesso ao crédito precisam ser discutidos antes de a emergência acontecer”
Segundo o Alves, o crédito rural também pode financiar investimentos destinados a aumentar a eficiência e reduzir vulnerabilidades da propriedade.
“O crédito precisa ser visto como ferramenta de planejamento. Dependendo da necessidade e da linha disponível, o produtor pode financiar equipamentos, infraestrutura e tecnologias que aumentem a eficiência da propriedade. O erro é esperar o problema acontecer para começar a procurar uma solução financeira”
Água, clima e finanças na mesma equação
A onda de calor prevista para os próximos dias evidencia uma mudança mais ampla na gestão rural. Água, clima e capacidade financeira passam a fazer parte de uma mesma equação.
No campo, preparar-se para temperaturas próximas dos 40°C não significa apenas reagir quando o termômetro sobe, mas reduzir vulnerabilidades, usar a água de forma mais eficiente e manter capacidade financeira para enfrentar um ambiente produtivo cada vez mais exposto aos extremos climáticos.
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