Em meio à aceleração digital, Isadora Reis, Head de Marketing & Comunicação Corporativa para América Latina da Korn Ferry, propõe uma pergunta incômoda: as marcas estão esquecendo das pessoas? A reflexão nasce de uma observação cotidiana, mas rapidamente se transforma em um alerta sobre os rumos da comunicação.
No texto, a executiva aponta que inteligência artificial, automação e pressão por resultados vêm moldando uma lógica de produção cada vez mais veloz. No entanto, ela sugere que esse movimento pode estar afastando as marcas justamente do que as torna relevantes: a capacidade de criar vínculos reais.
O peso do excesso
Isadora lembra que o marketing continua sendo medido por receita e geração de negócios, mas questiona o custo de uma comunicação baseada apenas em performance imediata. Para ela, o problema não está no objetivo, e sim na forma como ele é perseguido.
Ela também cita o desgaste provocado por excesso de mensagens e contatos insistentes. Segundo sua reflexão, quando a comunicação passa do ponto, o consumidor pode simplesmente bloquear a marca e romper o vínculo construído ao longo do tempo.
Além disso, a executiva questiona se as ações de marketing estão agregando valor à experiência ou apenas entregando bons números no fechamento do quarter. Dessa forma, ela sugere que a lógica do curto prazo tende a produzir resultados igualmente curtos.
Mais tempo, menos ruído
Na visão de Isadora, as pessoas estão cansadas e esperam conteúdos e experiências que façam sentido para suas vidas. Isso vale tanto para o ambiente corporativo quanto para o consumo cotidiano.
Enquanto isso, a tecnologia poderia ser usada para devolver tempo às equipes e aos consumidores, abrindo espaço para ideias mais consistentes e campanhas de maior duração. Assim, a marca deixaria de ser apenas mais uma presença constante para se tornar uma presença útil.
A provocação central do texto é essa: em vez de esgotar o público, marcas deveriam construir relações que acompanhem a rotina das pessoas por anos, com relevância real e menos ruído.
Questão aberta
Isadora reconhece que suas reflexões terminam com mais perguntas do que respostas, mas considera que questionar é o início de uma mudança. Em meio à transformação do marketing, ela aponta para um cenário em que a publicidade pode ser direcionada até por agentes de IA capazes de comprar automaticamente.
A grande questão, portanto, permanece: qual impacto humano ainda conseguimos gerar?
Sobre a Korn Ferry
A Korn Ferry é uma consultoria global focada em impulsionar a performance das organizações por meio do desenvolvimento de pessoas, fortalecimento de lideranças e alinhamento entre estratégia e execução. A empresa também atua como consultoria organizacional e de talentos oficial da LA28.
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