Boca torta, braço fraco e fala enrolada são sinais que podem indicar um AVC. Quando aparecem de forma repentina, a orientação é procurar um serviço de urgência, mesmo que desapareçam espontaneamente depois de alguns minutos.
O cardiologista Thiago Marinho, do Hospital Mater Dei Goiânia, explica que alterações súbitas na força muscular estão entre os principais sinais. A perda pode atingir um braço, uma perna ou a musculatura do rosto, causando desvio da boca.
O alerta faz parte da conscientização do Setembro Vermelho, mas deve ser observado durante todo o ano. AVC e infarto dependem de atendimento rápido, e a demora pode aumentar o risco de sequelas.
Teste rápido ajuda a observar
Para observar alguns sinais, é possível pedir que a pessoa sorria, levante os dois braços e repita uma frase. Dificuldades em qualquer uma dessas ações devem ser tratadas com atenção.
Também podem ocorrer dificuldade para falar ou compreender, alterações repentinas da visão, tontura, perda de equilíbrio e dor de cabeça súbita e intensa.
Mesmo que o quadro melhore, a pessoa precisa ser avaliada. Portanto, o desaparecimento dos sinais não deve ser usado como motivo para esperar em casa.
“Pode ser a perda de força de um braço, da perna ou uma alteração na musculatura da face, com desvio da boca para um lado. Sempre que o paciente tiver um quadro semelhante, deve procurar atendimento médico de urgência, mesmo que apresente melhora espontânea dos sintomas.”
Infarto não é só dor no peito
A dor no peito é o sintoma mais conhecido do infarto. Ela pode ser descrita como peso, aperto ou queimação no centro do tórax e irradiar para pescoço, braços, costas, mandíbula ou região do estômago.
No entanto, idosos, pessoas com diabetes e mulheres podem apresentar sinais diferentes. Falta de ar, cansaço, suor frio e desmaio também podem indicar um problema cardíaco.
Essas manifestações podem atrasar o diagnóstico. Por isso, diante de mal-estar súbito ou sintomas intensos, é mais seguro procurar uma emergência e permitir que o infarto seja descartado do que esperar em casa.
“É melhor procurar o serviço de urgência e o infarto ser descartado do que ter o diagnóstico feito depois de 24 horas, com possíveis consequências para o coração.”
Riscos podem não dar sinais
Hipertensão, colesterol elevado e diabetes estão entre os principais fatores de risco para AVC e infarto. Essas condições podem permanecer silenciosas por anos e dificultar a descoberta e o controle adequado.
O histórico familiar também merece atenção, especialmente quando há casos de AVC ou infarto precoce antes dos 50 anos. Nessa situação, o acompanhamento médico pode começar ainda na juventude e incluir investigação de alterações hereditárias.
A prevenção pode envolver aferição da pressão e exames de glicemia, colesterol e triglicerídeos. Conforme o caso, podem ser indicados eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e outras avaliações.
Hábitos ajudam a prevenir
Entre as medidas preventivas estão alimentação adequada, atividade física regular, controle do peso e do estresse, sono adequado, abandono do tabagismo e tratamento da hipertensão, do diabetes e do colesterol alto.
A recomendação citada pelo cardiologista é de 150 a 300 minutos semanais de exercício aeróbico, associados a exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana.
Por fim, hábitos saudáveis e acompanhamento médico ajudam a reduzir riscos, mas não substituem a urgência diante de sintomas repentinos. Em suspeita de AVC ou infarto, a orientação é procurar atendimento imediatamente.
Serviço
- Especialista: Thiago Marinho, cardiologista do Hospital Mater Dei Goiânia
- AVC: boca torta, fraqueza, fala alterada, dificuldade de compreensão, alteração visual, tontura, desequilíbrio e dor de cabeça súbita
- Infarto: dor ou pressão no peito, falta de ar, cansaço, suor frio, mal-estar e desmaio
- Orientação: procurar atendimento de urgência diante de sintomas repentinos
- Prevenção: acompanhamento médico, atividade física e controle dos fatores de risco
Foto: Divulgação/Pixabay

