Niterói será o primeiro palco de “Essa Mina é Game Over”, anime brasileiro produzido pela Noches Produções. A minissérie, também chamada de EMEGO, terá sua primeira exibição pública no dia 12 de setembro, durante o Niterói Expo Geek.
A produção combina romance, games e técnicas utilizadas na animação japonesa, mas desenvolve personagens, situações e referências a partir de uma perspectiva brasileira. Com seis episódios de cinco minutos, a obra propõe uma comédia romântica sobre competição, sentimentos e vínculos que ultrapassam a tela do jogo.
Quando perder muda o jogo
O protagonista Leo é um gamer acostumado a nunca perder uma partida. Essa lógica muda quando ele conhece Bia, a única pessoa capaz de derrotá-lo em seu jogo favorito. A partir desse encontro, Leo precisa lidar com sentimentos novos e descobrir que algumas disputas não se resolvem apenas com uma vitória.
A relação entre os dois personagens transforma a competição em uma história sobre descoberta e aproximação. Assim, EMEGO trabalha com o universo gamer como ponto de partida para contar uma narrativa romântica com humor e referências próximas ao público brasileiro.
Embora utilize métodos associados à indústria de anime do Japão, a Noches não busca reproduzir histórias estrangeiras. A proposta é recorrer a processos e técnicas desse mercado para criar uma obra com identidade nacional.
“Nós crescemos apaixonados pelos animes, mas queríamos ver a nossa cultura retratada ali. Nossa linguagem e técnicas podem ser japonesas, mas nossa alma é 100% brasileira”, afirma Carlos Vizeu, diretor criativo da Noches Produções.
Uma proposta de mercado para o anime nacional
A iniciativa nasceu da percepção dos fundadores da Noches sobre a relação entre o público brasileiro e os animes. O país está entre os maiores consumidores do gênero no mundo, mas, segundo a produtora, ainda não há uma produção nacional criada a partir dos métodos utilizados pela indústria japonesa.
Artistas e estúdios independentes já desenvolvem trabalhos com estética de anime no Brasil. No entanto, EMEGO busca aplicar também etapas e técnicas de produção japonesas a uma história concebida no país, em uma combinação que pretende ampliar o espaço para narrativas brasileiras dentro dessa linguagem.
“Existe um público jovem e jovem-adulto sedento por consumir histórias no gênero anime, com identidade brasileira. Não se trata apenas de fazer anime no Brasil, mas de criar um mercado para ele e suprir esse público não atendido”, afirma Mab Castro, CEO e produtora da Noches.
A produtora já desenvolveu outros projetos no setor criativo. Entre eles estão “Nina e os Guardiões”, exibida pelo NatGeo Kids, e “Genius!”, piloto produzido dentro do workflow japonês e apresentado no Niterói Expo Geek em 2024.
Afureko e a conexão entre voz e imagem
EMEGO foi desenvolvido pela Noches em conjunto com a BDN Rio e a Shonen West, em um Comitê de Produção. O modelo, utilizado no Japão, reúne parceiros para financiamento, desenvolvimento e gerenciamento de projetos de anime e foi adaptado à produção brasileira.
Com a BDN Rio, especializada em dublagem e produção sonora, o anime utiliza o sistema Afureko, ou Afuteru Rekorudo. No processo, a animação é realizada antes da interpretação dos atores de voz, que trabalham a partir das emoções, dos movimentos e das expressões já presentes nos personagens.
Dessa forma, voz e imagem são construídas em relação direta. Diferentemente de um modelo mais comum no Ocidente, no qual os atores podem ajudar a definir o acting durante a gravação, em EMEGO a interpretação visual é previamente desenvolvida pela equipe de animação.
“Saber que as nossas escolhas de tom, intensidade e volume, junto com a animação feita pelo estúdio, vão dar a humanidade necessária aos personagens e o ritmo emocional da narrativa é incrível”, afirma Mattheus Caliano, diretor geral de Afureko de EMEGO.
Byanca Mercys, voz de Bia, destaca a liberdade de interpretação e a possibilidade de trabalhar diretamente a partir das emoções reveladas nas imagens. Lucas Bastos, que interpreta Leo, considera a experiência desafiadora e gratificante por exigir uma dinâmica diferente da dublagem tradicional.
Mangá e música ajudam a contar a história
A Shonen West é outra integrante do Comitê de Produção. A iniciativa brasileira trabalha com a criação e publicação de mangás próprios e de autores nacionais, utilizando técnicas de narrativa e produção desenvolvidas no mercado japonês em histórias conduzidas por criadores brasileiros.
“Nosso objetivo é utilizar as técnicas de narrativas e de produção de quadrinhos japoneses e adequá-las de maneira apropriada para que uma visão brasileira possa alcançar os corações de leitores e telespectadores pelo mundo”, afirma Gabriel Araújo, editor-chefe e CEO da Shonen West.
Para Ikeda, editor da Shonen West, a interação entre Leo e Bia é um dos pontos que sustentam a história. Os dois têm personalidades diferentes, mas desenvolvem uma relação em que a competição abre caminho para um vínculo de descoberta e complementação.
A música também faz parte da identidade de EMEGO. Charles Botelho, diretor musical da produção, participou da criação da canção de encerramento da série, elemento presente em animes japoneses. Por fim, a faixa integra a proposta de construir uma narrativa que una imagem, voz e sonoridade em uma obra brasileira.
Niterói recebe a primeira exibição
A pré-estreia no Niterói Expo Geek reforça a ligação da Noches com a cidade. O estúdio desenvolve parte de sua trajetória em Niterói e já recebeu reconhecimento da Câmara de Vereadores local pelo trabalho no setor criativo e pela utilização de métodos japoneses de produção.
O evento, que já recebeu a apresentação do piloto de “Genius!” em 2024, agora será o ponto de partida para “Essa Mina é Game Over”. A estreia coloca a produção diante de um público ligado a animes, games e cultura pop, em uma experiência que busca aproximar técnica japonesa e brasilidade.
Serviço
- Evento: pré-estreia de “Essa Mina é Game Over”
- Data: 12 de setembro de 2026
- Local: Niterói Expo Geek
- Produção: Noches Produções
- Formato: minissérie de anime com seis episódios de cinco minutos
Foto: Divulgação


