O setor de franquias brasileiro fechou 2025 com R$ 301,7 bilhões em faturamento, somando 3.297 redes e mais de 202 mil operações espalhadas pelo país. Apesar dos números expressivos, opera por trás dessa engrenagem uma ineficiência financeira ainda pouco explorada.
Milhares de pequenos franqueados negociam de forma isolada e fragmentada taxas de cartão, seguros, energia, crédito e serviços bancários. Por outro lado, eles perdem dinheiro diariamente por não utilizarem o peso de marcas fortes que possuem alta recorrência de receita e grande volume transacional.
Selic em queda, custo de capital em alta
Em um cenário econômico desafiador, com o Copom cortando a Selic para 14,25% ao ano em junho de 2026, terceiro corte seguido, e ainda assim sinalizando cautela diante da inflação acima da banda e dos riscos fiscais, o custo de capital tornou-se uma variável decisiva.
É nesse ambiente que o modelo de embedded finance, ou finanças embarcadas, avança de forma pragmática no varejo e nos serviços. Estudo estima que essa tecnologia pode gerar cerca de R$ 24 bilhões em receita adicional em 2026, além de destravar até R$ 83 bilhões em oferta de crédito.
Comportamento financeiro como ativo
A inteligência desse modelo está em estruturar a operação financeira que já acontece organicamente dentro da rede, integrando pagamentos, recebíveis, royalties, seguros e crédito ao fluxo operacional por meio de APIs e contas operacionais.
Quando uma rede conhece o faturamento, a recorrência e o comportamento financeiro dos seus franqueados, ela tem um ativo que pode ser usado para gerar eficiência, reduzir custo e criar novas linhas de receita.
A explicação é de Letícia Moschioni, cofundadora e sócia da Finscale. Segundo ela, o desafio está em estruturar essa operação com governança e tecnologia, sem descaracterizar o negócio principal.
A empresa precisa começar pela dor: taxa de cartão, inadimplência de royalties ou capital de giro. Quando a solução resolve um problema concreto, o serviço financeiro passa a fortalecer a operação principal.
O impacto direto sobre royalties
Um dos reflexos mais imediatos dessa estruturação tecnológica atinge diretamente a receita principal das franqueadoras: os royalties, que costumam girar entre 4% e 10% do faturamento das unidades, conforme o segmento e o modelo da rede.
Quando a cobrança depende de boletos e prazos individuais, a inadimplência e o desgaste comercial entram na rotina. Assim, com a tecnologia de finanças embarcadas, cada transação na ponta pode separar automaticamente a parcela da franqueadora via split de pagamento, direcionando o valor para uma conta controlada sem tirar a previsibilidade de caixa do franqueado.
Escala que muda o jogo
Um case que ajuda a dimensionar o impacto financeiro dessa centralização é o da PlugZ. Segundo Antônio Castilho, CEO e fundador da startup, a diferença entre negociar sozinho e negociar em rede transforma custos pulverizados em margem de lucro.
De acordo com Castilho, uma unidade franqueada que fatura entre R$ 150 mil e R$ 200 mil por mês costuma ser tratada pelos bancos tradicionais como uma pequena empresa isolada, sem poder de barganha. Sob essa ótica, uma venda de R$ 100 no cartão de crédito pode reter até R$ 3,80 no sistema financeiro, taxa de 3,80%.
No entanto, quando essa operação se integra a um ecossistema como o da PlugZ, que consolida, segundo a própria empresa, o volume das lojas da rede para movimentar R$ 617 milhões por mês, o patamar de negociação muda. Com o ganho de escala, a taxa de aquisição despenca para patamares a partir de 2,40%.
Para fins ilustrativos, o CEO da PlugZ pontua que um empreendedor que lucrava R$ 20 mil por mês pode passar a embolsar R$ 23 mil apenas ao somar pequenas economias em adquirência, energia e seguros negociados em bloco. Por fim, o dado funciona como um exemplo claro da tese de que, em redes pulverizadas, a margem financeira de franqueados e franqueadores está escondida em custos operacionais que nunca haviam sido organizados coletivamente.
Sobre a Finscale
A Finscale é uma empresa especializada na estruturação de operações financeiras para companhias que desejam transformar serviços financeiros em uma nova linha de receita. Atuando na interseção entre estratégia, tecnologia e execução, a empresa apoia organizações de diferentes setores na criação e desenvolvimento de suas próprias verticais financeiras.
Com atuação já consolidada, a Finscale atendeu mais de 300 empresas, movimentando mais de R$ 1 bilhão em operações financeiras e com presença em 15 setores, o que reforça sua capacidade de adaptar soluções a diferentes modelos de negócio e níveis de maturidade. Em 2025, a empresa registrou faturamento de R$ 5,4 milhões, com meta de mais que triplicar esse número em 2026.
A atuação começa com um diagnóstico estratégico aprofundado, que identifica oportunidades dentro da operação da empresa relacionadas à geração de receita, redução de custos e ganho de eficiência por meio de soluções financeiras. Dessa forma, a partir desse mapeamento, a Finscale desenvolve projetos personalizados que conectam o modelo de negócio da companhia a soluções como crédito, pagamentos, contas digitais e outros serviços financeiros integrados.
Além da fase de diagnóstico e estruturação, a empresa também atua na consultoria especializada para fintechs e operações financeiras, apoiando desde a modelagem econômica até a definição de parceiros, tecnologia e governança. Esse trabalho é conduzido por uma equipe fundadora — Letícia Moschioni, Callebe Mendes e Raphael Monteiro Lopes —, com experiência prática na criação e escala de operações financeiras.
A atuação se estende ainda para a fase de implementação e pós-operação, garantindo que a estratégia seja executada de forma eficiente e sustentável ao longo do tempo. Com uma abordagem ponta a ponta, a Finscale permite que empresas deixem de ser apenas usuárias do sistema financeiro e passem a operar dentro dele, com maior controle, previsibilidade e geração de valor recorrente.
Foto: Divulgação

