Câmera desligada, bebê no colo, reunião em andamento e menos de três horas de sono. Adriana Wells, diretora de Recursos Humanos da Foundever, recorda esse momento com clareza para falar sobre algo que muitas mulheres vivem, mas poucas conseguem nomear: a solidão de ser mãe e profissional ao mesmo tempo, sem que isso seja reconhecido pelo ambiente de trabalho.
No artigo que assina, a executiva combina experiência pessoal e visão de liderança para discutir maternidade, mercado corporativo e o que significa, na prática, oferecer suporte real a mulheres que trabalham.
Maternidade não é pausa
Psicóloga, mãe de duas filhas e atleta desde os cinco anos, Adriana descreve sua primeira gestação como solitária. A falta de suporte estruturado revelou uma realidade incômoda: o mercado ainda não sabe lidar com mulheres que se tornam mães, e muito menos com aquelas que retornam do puerpério ainda em reconstrução.
“A maternidade não pede licença. Ela entra na sua rotina, atravessa sua agenda e redefine quem você é.”
Por muito tempo, o mundo corporativo tratou esse processo como um desvio a ser rapidamente corrigido. No entanto, para Adriana, maternidade não é pausa: é biologia, emoção e uma reorganização completa da vida. Exigir que a mulher “volte a performar como antes” ignora tudo isso.
O Programa Maternar na Foundever
Na posição que ocupa hoje, Adriana ajudou a estruturar o Programa Maternar, iniciativa da Foundever que acompanha a gestante durante toda a jornada, com apoio do ambulatório, orientação especializada e espaços de escuta. A lógica por trás do programa é clara: apoiar mães não é gesto de empatia, é decisão estratégica.
O puerpério, ainda frequentemente negligenciado pelas empresas, recebe atenção específica no programa. Rodas de conversa e espaços seguros de troca integram as ações. “Existe algo muito potente em perceber que você não está sozinha. Que não é falha individual, é contexto”, escreve a executiva.
Dessa forma, salas de lactação garantem dignidade e viabilizam a amamentação durante a rotina profissional. Para Adriana, esse tipo de estrutura é o que separa suporte real de discurso vazio. Todos os programas são gratuitos para as colaboradoras da empresa, porque, segundo ela, reter talentos femininos é uma decisão de negócio.
Priorizar, não equilibrar tudo
O esporte ocupa um lugar central na vida de Adriana. Ela nada, faz musculação, pedala e, mais recentemente, passou a correr também. Essa rotina, mantida mesmo com dois filhos e uma agenda intensa, a ensinou algo fundamental sobre conciliação.
“Conciliar não é equilibrar tudo perfeitamente, mas priorizar com consciência. É construir uma rotina possível, não ideal.”
Com a filha mais velha de sete anos e a caçula com um ano recém-completado, ela reconhece que a segunda maternidade foi mais consciente do que a primeira. Em ambas, o que fez diferença foi contar com uma rede de pessoas, políticas e cultura que não a obrigou a escolher entre ser boa mãe ou boa profissional.
Por fim, o artigo termina com um recado direto a quem lidera equipes: “Pergunte às mães da sua equipe o que elas precisam. E, dessa vez, escute de verdade.” Para Adriana Wells, a conclusão é simples e firme: a maternidade não reduz o potencial de uma mulher. Ela amplia.
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