Estrangeiros que vivem legalmente nos Estados Unidos e planejavam solicitar o green card sem sair do país podem ter que rever seus planos. O governo Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (22) uma nova diretriz migratória que endurece as regras do ajuste de status — o mecanismo que permite pedir residência permanente dentro do próprio território americano — e abre caminho para que muitos processos passem a ser conduzidos por consulados no exterior.
A medida foi divulgada pelo Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) e representa mais um movimento do governo no sentido de restringir vias de imigração legal. Estudantes internacionais, profissionais qualificados e turistas com vínculos estabelecidos nos EUA estão entre os mais afetados.
A lógica por trás da mudança
O porta-voz do USCIS, Zach Kahler, deixou claro o objetivo da nova política: impedir que vistos temporários sejam usados como porta de entrada para a residência permanente. Segundo ele, visitantes devem permanecer nos EUA apenas pelo período e propósito originalmente previstos em seus vistos.
Dessa forma, pedidos que antes tramitavam dentro do país poderão ser redirecionados para consulados e embaixadas americanas no exterior, sob responsabilidade do Departamento de Estado. Para muitos imigrantes, isso significa ter que deixar os EUA — com todos os riscos que essa decisão envolve.
O alerta do especialista
O advogado Dr. Vinícius Bicalho, licenciado nos EUA, Brasil e Portugal e mestre pela Universidade do Sul da Califórnia, analisa a mudança com preocupação:
“Muitos estrangeiros chegam aos Estados Unidos dentro da legalidade e, ao longo do tempo, surgem oportunidades legítimas de imigração permanente. O problema é que a nova diretriz aumenta a insegurança sobre a possibilidade de concluir esse processo sem precisar deixar o país.”
Além disso, o especialista chama atenção para os riscos práticos de quem precisar sair dos EUA para cumprir etapas consulares. “Dependendo do histórico migratório da pessoa e da categoria do visto, sair dos Estados Unidos pode gerar atrasos, insegurança jurídica e até dificuldades de reentrada”, adverte.
No entanto, Dr. Bicalho esclarece que o ajuste de status não foi eliminado. “Cada caso continuará dependendo de fatores específicos, incluindo categoria migratória, histórico da entrada no país e fundamento jurídico do pedido”, complementa.
Entidades criticam riscos humanitários
A nova política também gerou críticas de organizações de direitos humanos. A ONG HIAS, que apoia refugiados e vítimas de violência, alertou que a diretriz pode forçar pessoas em situação de vulnerabilidade — incluindo vítimas de tráfico humano e menores em risco — a retornarem para países perigosos apenas para cumprir etapas burocráticas do processo migratório.
Enquanto isso, o debate sobre imigração nos Estados Unidos segue aquecido, com o governo avançando em medidas que afetam tanto imigrantes irregulares quanto aqueles que percorrem caminhos legais.
Como se proteger nesse cenário
Para Dr. Bicalho, o recado é claro: improvisação é o maior inimigo do imigrante no cenário atual. “Hoje, mais do que nunca, o imigrante precisa tomar decisões estratégicas. Pequenos erros podem gerar consequências sérias em processos futuros”, afirma.
Por fim, o advogado reforça que os caminhos legais seguem abertos. “A imigração para os Estados Unidos continua sendo perfeitamente possível dentro da legalidade. O que muda é a necessidade de um planejamento muito mais estruturado diante de um cenário migratório mais rigoroso”, conclui.
Foto: IA


